Resposta curta: a injeção é feita em ambiente cirúrgico, com anestesia em colírio, e leva poucos minutos. A maioria dos pacientes relata pressão, não dor. O número de aplicações não é fixo: começa com uma fase de ataque e depois é ajustado conforme a resposta da retina.
Por que injetar dentro do olho?
Colírio não atravessa em concentração útil até a retina, e medicação por via oral não alcança o fundo do olho em dose suficiente sem efeito sistêmico relevante. Aplicar no vítreo entrega o medicamento onde ele precisa agir.
Os antiangiogênicos bloqueiam o VEGF, a proteína que estimula o crescimento de vasos anormais e o extravasamento de líquido. É o tratamento estabelecido para DMRI úmida, edema macular diabético e edema por oclusão venosa.
O passo a passo
- Colírio anestésico e colírio para dilatar
- Antissepsia da pálpebra e da superfície ocular com iodopovidona
- Colocação de um afastador que mantém as pálpebras abertas
- A aplicação em si, que dura poucos segundos
- Verificação da visão e da pressão intraocular antes da alta
O paciente não vê a agulha se aproximar, porque ela entra por fora do campo de visão. É a pergunta que mais recebo antes do procedimento.
O que esperar nas horas seguintes
Sensação de areia por algumas horas, causada pela antissepsia e não pela injeção. Pode surgir uma mancha vermelha na parte branca do olho — hemorragia subconjuntival, que não afeta a visão e some sozinha em uma a duas semanas.
Também é comum enxergar uma bolha ou um ponto escuro que se move nos primeiros dias: é a própria medicação dentro do vítreo.
Quantas serão?
O esquema mais usado começa com aplicações mensais na fase inicial e depois individualiza o intervalo conforme a mácula responde, avaliada por OCT a cada retorno. Alguns pacientes espaçam bem; outros precisam manter intervalos curtos por bastante tempo.
Não é um tratamento com data marcada para terminar, e prefiro dizer isso na primeira consulta. A frustração maior que vejo não vem do procedimento — vem da expectativa de que seriam três injeções e pronto.
E os riscos?
O mais temido é a infecção intraocular (endoftalmite). É rara — da ordem de um caso a cada dois a três mil aplicações — e é justamente por causa dela que a antissepsia e o ambiente cirúrgico não são negociáveis.
Sinais de alerta nos dias seguintes: dor que aumenta, piora importante da visão, olho muito vermelho. Qualquer um deles é retorno imediato, sem esperar a consulta agendada.
Dr. Celso Morita — Médico oftalmologista. CRM-SP 97.362 | RQE 58221. Graduação e residência médica em Oftalmologia pela Universidade de São Paulo (USP), com formação complementar em Retina e Vítreo na mesma instituição. Atende em Vila Mariana, São Paulo.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a conduta dependem do exame de cada paciente.

