Resposta curta: o buraco macular é uma abertura no centro da retina, geralmente causada pela tração do vítreo. Provoca distorção e uma falha escura bem no meio da visão. O tratamento é cirúrgico, e o fechamento é alcançado na grande maioria dos casos operados precocemente.
O que acontece dentro do olho
Com a idade, o vítreo se contrai e se desprende da retina. Na maioria das pessoas isso ocorre sem consequência. Em alguns olhos, ele permanece aderido justamente no centro da mácula e puxa esse ponto até abrir uma falha.
O resultado é um buraco de fração de milímetro em uma área que responde por toda a visão de detalhe.
Quais são os sintomas
- Distorção das linhas retas
- Um ponto escuro ou vazio fixo no centro da visão
- Dificuldade para ler mesmo com óculos corretos
- Sensação de que falta um pedaço das palavras
O olho contralateral compensa bem, então é comum o paciente só perceber ao tapar um olho por acaso.
Como se confirma o diagnóstico
Pela tomografia de coerência óptica (OCT). Ela mostra o corte da retina em detalhe micrométrico, confirma o buraco, mede seu diâmetro e revela se há tração residual do vítreo.
O diâmetro importa: buracos menores fecham com mais facilidade e recuperam mais visão.
Como é a cirurgia
Vitrectomia — remoção do vítreo — associada à retirada da membrana limitante interna ao redor do buraco, que alivia a tração sobre as bordas. Ao final, o olho é preenchido com gás, que funciona como um curativo interno mantendo as bordas aproximadas enquanto cicatrizam.
O gás é absorvido sozinho ao longo de semanas. Enquanto ele estiver presente, a visão daquele olho fica muito embaçada e o paciente não pode viajar de avião nem subir a grandes altitudes, porque o gás expande e eleva a pressão intraocular.
Em parte dos casos oriento manter a cabeça voltada para baixo por alguns dias. A necessidade e a duração desse posicionamento variam conforme o tamanho do buraco e a técnica empregada.
O que esperar da recuperação
O fechamento anatômico costuma ser rápido. A recuperação da visão é lenta e continua melhorando ao longo de meses.
Combino isso com o paciente antes da cirurgia, porque as primeiras semanas com o gás na frente da visão assustam quem esperava melhora imediata.
O que costumo ver no consultório
Quanto mais recente o buraco, melhor o resultado. Buracos com muitos meses de evolução fecham com menos frequência e recuperam menos visão.
Por isso trato distorção central nova como algo que merece OCT logo — não como algo para observar por seis meses.
Dr. Celso Morita — Médico oftalmologista. CRM-SP 97.362 | RQE 58221. Graduação e residência médica em Oftalmologia pela Universidade de São Paulo (USP), com formação complementar em Retina e Vítreo na mesma instituição. Atende em Vila Mariana, São Paulo.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a conduta dependem do exame de cada paciente.

