Resposta curta: a retinografia fotografa a retina, a OCT mostra suas camadas em corte, e a angiofluoresceinografia revela como o sangue circula dentro dela. São exames complementares — cada um responde a uma pergunta diferente.
Retinografia
Uma fotografia colorida do fundo do olho. Documenta o que existe hoje e permite comparação objetiva ao longo dos anos.
É o exame que sustenta o acompanhamento de retinopatia diabética e de alterações periféricas, porque substitui a descrição escrita por uma imagem que pode ser confrontada anos depois.
OCT (tomografia de coerência óptica)
Produz um corte transversal da retina com resolução de micrômetros, sem contato e sem contraste. Em poucos segundos mostra as camadas empilhadas.
É o exame que responde: existe líquido? há tração? a mácula está mais espessa que no exame anterior? o buraco fechou?
Foi o que mais mudou a prática em retina nos últimos vinte anos. Decisões que antes dependiam de impressão clínica hoje se apoiam em uma medida que pode ser comparada consulta a consulta.
Angiofluoresceinografia
Um contraste é injetado na veia do braço e uma sequência de fotos acompanha sua passagem pelos vasos da retina.
Mostra o que a OCT não mostra: áreas sem circulação, pontos de vazamento e vasos anormais. É indicada quando é preciso mapear a circulação, não apenas a anatomia.
Como envolve contraste endovenoso, tem contraindicações e exige avaliação prévia. Não é exame de rotina — é exame com indicação específica.
OCT-angiografia
Mostra a circulação da retina sem contraste, a partir do movimento das hemácias. É rápida e confortável.
Não substitui a angiografia convencional em todas as situações, porque não mostra vazamento, mas resolve boa parte das dúvidas com menos incômodo para o paciente.
Como escolho
Parto da pergunta clínica, não do exame:
- Documentar e acompanhar ao longo do tempo: retinografia
- Investigar mácula, líquido ou tração: OCT
- Entender a circulação e localizar vazamento: angiografia
- Avaliar circulação macular sem contraste: OCT-angiografia
O que costumo ver no consultório
Chega gente com uma pasta cheia de exames repetidos e nenhuma comparação entre eles. Exame demais sem pergunta clara não ajuda a decidir nada.
O exame mais útil quase sempre é o que repete o anterior, no mesmo aparelho, para que a diferença apareça.
Dr. Celso Morita — Médico oftalmologista. CRM-SP 97.362 | RQE 58221. Graduação e residência médica em Oftalmologia pela Universidade de São Paulo (USP), com formação complementar em Retina e Vítreo na mesma instituição. Atende em Vila Mariana, São Paulo.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a conduta dependem do exame de cada paciente.

